Já acabou, Jéssica?

Nunca tinha acontecido na minha timeline.

Eu sempre tô de olho nas tretas alheias, claro, mas sou muito mais o Michael Jackson comendo pipoca do que qualquer outro meme problematizador. Raramente me envolvo e sempre cuido muito de quais coisas e de quais formas abordar as coisas pela internet estrada afora. Não gosto de vender meu peixe ideológico por aí. Acho que a humanidade meio que falhou e as pessoas não conseguem mais se compreender. Rola uma futebolização generalizada. Futebolização não é sobre futebol.

Mas, na maior inocência, no começo dessa semana compartilhei a nova propaganda da Coca Cola, por motivos de queria muito tomar uma coca (sdds refrigerante) e achei o vídeo excelente. Só que sou muito tonga. Na teoria eu sei que tudo que você escreve é metade seu e metade de quem lê, e não dá pra deixar as coisas que você escreve muito soltas. Mas né? Às vezes escapa. Às vezes escrevo umas coisas que acho que todo mundo é obrigado a entender exatamente o que eu entendo quando escrevo. Tudo começou por causa disso. Fiz um comentariozinho irônico sobre o link compartilhado sem avisar de forma suficiente que era irônico. Foi o Erro Número Um de uma sucessão deles:

Já acabou-publicação

E é claro que teve gente que não entendeu – porque sempre tem – e achou que eu tava me posicionando de um jeito que não era bem como eu tava me posicionando. E, a partir dessa ideia equivocada, achou que iria endossar minha posição com um “que ridículo isso, por isso que o mundo está de cabeça pra baixo”. Quer dizer, essa é a única explicação razoável que eu encontro pro que veio a seguir.

Corta. Você já parou pra pensar o que uma pessoa ansiosa pensa de uma treta na sua timeline? Vou tentar explicar. Se o texto ficar confuso, tente relevar. É assim mesmo. A cabeça é. E o texto sai de lá. Quase sempre.

Recebi a notificação. Certa Pessoa também comentou seu link. Adoro o facebook querendo fazer o motivador, com esse também. Fico pensando que naquela notificação vai ter uns vinte outros comentários, mas não é, ele fica somando todas as notificações que você já teve naquela mesma publicação. É bem louco. Mas deixa eu focar, porque não quero dar destaque no também, mas no Certa Pessoa. Eu gelei na hora. A gente sabe os amigos que cultiva no facebook. E a gente que é ansioso sempre sabe quando vai dar merda, né?

Pensei – com 100% de acerto, descobri logo – que eu deveria ter escrito em neon, letras garrafais, com luzinhas de natal piscando no entorno que eu tava sendo irônica no meu comentário. Que, na verdade, eu queria dizer que propor boicotes à Coca, à Disney, à C&A, a quem quer que seja, por vídeo, campanha, MUB, anúncio de rádio, qualquer coisa, é a maior bobagem que você pode dizer no universo. Se eu tivesse escrito isso, certamente Certa Pessoa não teria comentado no meu link. Prefiro pensar que não.

Já acabou-citação texto_

Abri a notificação. Que ridículo isso, por isso que o mundo está de cabeça pra baixo. Travei. “Renan, como eu vou responder isso aqui?”, mais conhecido como Erro Número Dois. Renan tem cinco planetas em capricórnio que quase enganam, mas é de sagitário. Fabi, minha irmã, também. Foi o Erro Número Três, ligar pra ela. Porque aí os dois signos de fogo – metade gente, metade cavalo, durante o fim do ano cruza o planetário – se juntaram num espiral de tretar com Certa Pessoa, que, por sua vez, tretou também. Aquela conferência improvisada começou a acionar diversas pessoas e foi isso. Teoria populacional malthusiana aplicada na prática. De modo geral, dá pra chamar esse momento de O Grande Erro Número Quatro.

E eu só pensava em como responder educadamente aquele comentário, explicar que Certa Pessoa, na verdade, tinha entendido errado o que eu queria com a publicação e que, só talvez, fosse melhor ver o comercial novamente e tentar entender mais ou menos o que tava rolando num contexto geral da sociedade dos dias atuais da contemporaneidade antes de sair, perigosamente, publicando umas coisas muito loucas na timeline alheia, incluindo aí uns xingamentos bem desnecessários.

Porque eu tava suando frio. Tensa. Nervosa. Preocupada. Não sei exatamente com o quê. Um pouco com a proporção da coisa toda. Outro tanto, com a possibilidade de me indispor com todos os envolvidos, incluindo Certa Pessoa – eu devo ter alguma casa astrológica em libra, só pode. E ainda tinha espaço pra pensar em como é ruim você estar preso em um grande conflito cósmico entre a mínima polidez de argumentos e brados alucinados de discurso de ódio. Oi? Desculpa, tô no meio do trabalho de conclusão da disciplina de Filosofia Política pro mestrado. Foco.

“Não, namorada, não tem que ser educada! Sem pressão esse tipo de comportamento não muda!”

“É, Martinha! Não adianta tentar dialogar com muro! Tem que fazer passar vergonha mesmo!”

E essa doutrinação esquerdopata-gayzista-imoral-<insira aqui uma forma a sua escolha de referir-se a essas pessoas que acham tudo-essas-poca-vergonha-bonita> (quem sabe um dia a gente tenha essa conversa) saiu completamente do controle da Monica Geller do zodíaco. E eu só pensava em como responder educadamente àquela pessoa (2). Porque travei aí. Tendo a travar, mesmo. E ficar repassando mentalmente todos os erros que, em sequência, levaram àquele momento no qual estou travada. Para sempre. Como se fosse o próprio Dia da Marmota. Ou aquele gif da panqueca (que aliás odeio):

tutorial-gif panqueca

A única resposta efetiva que dei pra toda a polêmica que meu comentário desavisado desencadeou foi um: Acho – eu, Marta – que nada de bom pode vir depois de um “não sou preconceituosa não”. Só isso. De resto, depois de abandonar a ideia de explicar educadamente (tem uma hora que já não tem mais como voltar praquela janela de oportunidade de explicar educadamente), fiquei procurando memes pra ilustrar a treta alheia, que tava acontecendo na minha própria publicação, mas que – como sou uma pessoa ansiosa que tem seus próprios truques pra lidar com sua própria ansiedade – eu tava preferindo olhar como se fosse treta alheia mesmo.

Tá, mas e aí? Desenrola isso, como foi o final da treta?, você insiste, querendo saber o que eu quero com toda essa conversa filosófica que tá claramente andando em círculos altamente confusos.

Treta lá tem fim?, eu te respondo, claramente me esquivando de, bem, você sabe de quê.

A gente que é ansioso sempre sabe quando vai dar merda, né? (2)

Já acabou-bloqueio
cabô amizade

R.: Sempre.


15 comentários sobre “Já acabou, Jéssica?

  1. …seKabÔ ??? Não era amizade minha querida ansiosa. Relaxa que a VIDA segue e vc não tem que se preocupar com bobagens dessa natureza…tua cabeça é tua sentença mais importante e çéfini !!! 😘😜

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  2. Kkkkkkkkkkkkkkk
    Sociedade que diz não ser preconceituosa mais não aceita que o mundo hoje é outro.
    Nem sei o que comentar…Mas essa coisa foi cômica. Eu me diverti, pelo menos isso valeu a pena. Hahahahaahahahaha
    Adorei o texto…Me identificando com vc em algumas coisas! 😂

    Curtido por 1 pessoa

  3. Hahahah ai Martinha. Aquela treta estava deliciosa. E sempre, SEMPRE, vai ter uma pessoa que não entende o que vc quer dizer e vai lá encher o saco. Mas essa que é a parte divertida, na minha opinião 😛
    PS: apesar de não parecer, eu não gosto de brigar.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Marta minha prima querida, a minha Tl foi parar na RPC… Tomou uma proporção tão grande que foi notícia por uma semana em PG. Imagine como fiquei? Minha ansiedade foi parar nas nuvens.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Sou suspeitíssima pra falar, porque sempre gostei, e ainda gosto (muito), de uma boa treta.
    Segredão que o diga!!!
    Mas lendo uma notícia hoje – por conta de um link que você mesma me enviou ontem, e que não tinha nada a ver com a história – foi inevitável não pensar nessa sua treta, e é um pouco o desgaste que eu sinto só de pensar em voltar pro Fb. Mentira, nem penso nessa possibilidade! Mas acho sim muito desgastante o modo como as redes sociais nos colocam em constante julgamento. Não que eu tenha medo de ser julgada. Não é isso, embora não simpatize mesmo com essa ideia. O medo na verdade é porque os julgadores, regra geral (que comporta exceções, portanto), são acéfalos precipitados!

    Vou deixar aqui a referência da notícia, porque achei o texto e o tema muito bons, mas se estiver em desacordo, só tirar, pq, afinal, a timeline , digo, o blog é seu!

    http://www.hypeness.com.br/2016/05/essa-foto-de-um-pai-com-seu-filho-viralizou-e-esta-provocando-polemica-na-internet/

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