Juro solenemente não fazer nada de bom

Sou fã de Harry Potter.

Não. Não é bem isso. Vou tentar de novo. Peraí.

O universo de Harry Potter faz parte da construção da minha personalidade.

Isso. Melhor.

Nossa, Marta, que exagero. Não. Quer ver como não?

Estava preparando um seminário pra uma das disciplinas que tô fazendo esse semestre e – no meio dos seis livros que eu precisava dar conta pra apresentação – me lembrei de um trecho de Quadribol Através dos Séculos pra explicar um dos conceitos que ia tratar.

harry-quadribol

Pois bem. Há razões objetivas e subjetivas pra essa leve obsessão.

Da primeira, posso dizer que sou da geração que foi atingida em cheio por esse mundo. Não mais que de repente, eu tinha o desejo mais sincero de ter sido deixada na porta de casa no meio da noite, porque isso significaria, obviamente, que logo receberia uma coruja dizendo que ia para um internato ter aulas. De História da Magia. Com um fantasma.

Não sei bem como foi isso – ou mesmo como era minha vida antes. Só sei que levei esse livro para uma viagem de fim de ano com a família (eu e Rory Gilmore: sempre com um livro, não importa onde). Eu tinha cabalísticos onze anos. Isso foi no século passado, mas não espalha.

E esse universo me encantou. Todas as possibilidades. Todos aqueles personagens. O Castelo. O esporte. Aqueles quadros que falavam. Fotos que se mexiam – hoje uma realidade em qualquer celular. Escadas que mudavam de lugar. E um menino que não pertencia a lugar nenhum. Acho que, de todas as razões subjetivas, essa é a mais adequada, superando, inclusive, o fato de eu ter uma cicatriz na testa – com uma história por trás que não é tão gloriosa quanto ter destruído o maior bruxo das trevas, claro.

harry-espelho

Harry não era trouxa, mas também não sabia como ser bruxo. Foi para a Grifinória, mas sempre teve uma pulga atrás da orelha sobre isso. Era um bom jogador de Quadribol, mas não porque tinha aprendido a ser. Venceu várias vezes o maior bruxo das trevas de seu tempo, mas quase sempre com golpes de sorte.

Mas a gente cresceu junto. Gosto de pensar que, de uma certa forma, fizemos companhia um pro outro.

Achei incrível, é claro, quando tudo isso ganhou proporções épicas, filmes cheios de dinheiro, efeitos especiais, atores famosos. Mas eu nunca abandonei aquele menino que eu imaginei. Meu Harry nunca foi Daniel Radcliffe. E não digo isso porque sou descolada da turma que prefere o livro ao filme (assim, eu geralmente prefiro, mas isso não é escrito na pedra). O meu Harry é muito particular. E ele foi construído de um jeito só meu. E tomou forma, ganhou personalidade. Algumas vezes até lá nos livros eu discordava de algumas coisas que ele fazia porque o meu Harry faria diferente. Até hoje o final do meu Harry não é o que todos vocês conhecem.

Durante muito tempo quis afirmar que meu personagem favorito não era Harry. Nunca achei que fosse o Snape, é verdade, mas sempre quis que fosse Hermione. Porque ela é o que quero ser. Segura, inteligente, brilhante. Esqueça, por favor, o fato de ter engatado um romance com Rony, ninguém é perfeito. Só que Harry é mais como eu sou. Deslocado, com problemas de comunicação, esforçado, mas um tanto quanto problemático.

É, acho que os dois estão ali, quase empatados.

Sou fã do Harry Potter.

harry-capa ilustrada

Malfeito feito.


7 comentários sobre “Juro solenemente não fazer nada de bom

  1. Eu não queria te contar isso, mas já que estamos aqui, nesse ambiente em que verdade e ansiedade se encontram, eu vou te contar. Ia te pedir pra prometer que não vai me julgar, mas isso é impossível. Na real, considerando que eu fiz quatro anos de faculdade e estágio pra não entregar minha monografia porque eu estava simplesmente ~buscando felicidade~ (e encontrei, bom frisar), é possível que você nem se surpreenda tanto com essas informações que darei a seguir:
    1. Prefiro os livros aos filmes. O primeiro filme trazia, também, um Harry que não era o meu, uma narrativa que falhava, enfim, não me trouxe felicidade. Vi o filme 2, talvez o 3, não vi o resto.
    2. Eu li seis dos sete livros.
    E aí já sei o que acontece no livro 7. E então, nunca li.
    É isso. Pode me julgar. Estou mais leve com essa confissão.
    Não lerei, muito provavelmente.
    Conversa com o Renan, veja se vocês ainda querem ser meus amigos, me comunique o veredito de forma gentil, por favor.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Como assim? vc tinha 11 anos quando leu o primeiro livro do Harry Potter? Ele existe a tanto tempo assim? Ou vc é bem mais nova do que eu imaginava? Ou muitos anos se passaram sem que eu percebesse?? Ai tô focando ansiosa….

    Curtido por 1 pessoa

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