Isso

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Então, já que nem Claire e Frank estão dando conta, vamos tentar outra abordagem.

Quais são as palavras que você mais usa?

Eu já tentei fazer um estudo das minhas. Não cheguei numa conclusão muito boa, não. Não sei. Acho que a gente sempre imagina que tem mais a dizer do que talvez tenha, e aí fica meio chateado quando vê que não.

Gente. Sério. Não sei.

Acho que continuam sendo essas as palavras que mais uso na vida. Se bem que acho também poderia estar ali em cima.

Às vezes consigo dizer tudo em uma única sentença. É bem estranho, quando paro para pensar. É estranho porque mesmo dizendo tanto não sei, eu odeio não saber. E cada vez que reflito sobre isso, penso naquela lição de Infinita Highway: a dúvida é o preço da pureza. E não sei se concordo. Papo de gente louca, sério.

Gente e sério, aliás, são expressões que acompanham minha descrença generalizada com as pessoas. Porque é uma descrença meio embasbacada, às vezes não consigo nem pensar em argumentos para mensurar o tamanho da loucura das pessoas, no geral. Porque acho que as pessoas, no geral, estão completamente ensandecidas. Loucas mesmo. Sério. Sobre a vida, sobre o tempo, sobre o país, sobre o mundo, sobre outras pessoas, sobre si mesmas. Sobre tudo. Loucas. De. Pedra.

Mas também, não sei o que significa ser louco de pedra. Vou até pesquisar sobre, porque, você sabe, odeio não saber.

Acho que toda essa reflexão voltou como uma bomba essa semana, você sabe o motivo. Gente de todo tipo estava muito interessada em saber minha opinião. E é claro que isso aconteceu numa quarta-feira.

Tempo suficiente para você ter obrigação de falar sobre isso na sexta, independentemente dos planos que você tinha feito. Aliás, tempos pós-modernos, tempos de pós-verdades. Tempos pós-apocalípticos. Na quarta-feira mesmo você já precisa ter opinião. E não só opinião. Assim, com um eu acho no final. Nada disso. Você precisa de uma fala recheada de análises sociais, econômicas, políticas, antropológicas. Análises fundamentadas, estruturadas, lógicas, bem apresentadas. E que se concretizem num futuro próximo. Sua opinião precisa de certeza. E ela precisa, também, estar certa. O que quer que certo signifique.

Previsões de um futuro próximo. Falando nisso, uma profecia: Na última sexta – antes de tudo isso – Renan e eu tivemos um pequeno diálogo. Ele fez uma sugestão e, no mesmo minuto, eu neguei com veemência. Sou dessas. Claramente decidida:

[10:20, 12/5/2017] Renan Rizzardo: aguardo um texto sobre isso na pauta
[10:20, 12/5/2017] Renan Rizzardo: #trends
[10:20, 12/5/2017] Marta Savi: vixe
[10:20, 12/5/2017] Marta Savi: quero não

Por que não, Marta? Não sei.

Acho que porque tenho lido e estudado sobre comunicação não violenta e tenho gostado de desse estilo de vida, mas, quanto isso é o assunto, eu sou mais adepta da não comunicação. Do espiral de silêncio. Porque acho que ninguém mais consegue ouvir. E, não ouvindo, ninguém se entende, se compreende. Sem ouvir, todo mundo meio que se odeia. As pessoas têm gritado, apenas. Estão futebolizando um isso atrás de outro isso. Transformando tudo isso em guerra. Guerra de narrativa, de discurso, de interpretação. Guerra de versões. Só um lado certo, o meu, só um lado errado, o seu. Só dois lados.

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Mas do que, afinal de contas, você tá falando? O que é isso? Não sei não.

E acho que não importa muito pelo quê você vai substituir o isso desse texto. Pode ser qualquer coisa. Não importa porque, no fundo, o que a gente quer saber mesmo é como nós – estes seres evoluídos que se encontram neste planeta e neste tempo – podemos salvar essas pessoas – que, embora se encontrem neste planeta e neste tempo, não são estes seres evoluídos que pensam como pensamos – da miserabilidade de suas vidas. Porque é isso.

A gente não quer resolver o problema por causa do problema, qualquer que seja ele. A gente quer resolver o problema porque a gente quer que o problema seja resolvido pela gente. Faz sentido pra você? Que tudo isso possa ser resumido a uma questão de voz passiva ou voz ativa na construção da frase? Porque quando penso nisso, esse detalhe de escola faz total e absoluto sentido. Eu acho.

Gente. Sério. Eu não sei mais o que pensar.

Os loucos de pedra, segundo o dicionário informal.

(Não sei se um site que se autodenomina dicionário informal pode ser fonte)

Significado de Doido de pedra:

1. Doido de pedra: Porque antigamente, os loucos nos manicômios, eram submetidos à tratamentos com muita, excessiva mesmo, medicação em comprimidos. Daí, veio o apelido ‘pedra’, de comprimido. E ficou louco-de-pedra, ou doido-de-pedra, quando alguém faz uma loucura, sandice.

Olha, achei bem bizarra essa explicação. Não sei se acredito nisso, não. Acho que quem escreveu isso poderia estar louco de pedra.

Sério.

Placar (e um bônus):
Gente – 11
Sério – 6
Não sei – 10
Acho – 11
Isso – 14

 


3 comentários sobre “Isso

  1. Sério, eu queria muito saber sua opinião sobre tudo isso, porque gente, isso tudo não tá normal! Eu tô me achando meio bem perdida nisso tudo que anda acontecendo, não sei, preciso de muitas explicações para saber como resolver o problema que precisa ser resolvido pela gente…. ops… 😱😱😱#loco #doidodepedra

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