manual de sobrevivência

Pode ser por uns tempos. Pode ser pra sempre. Pode ser em outro estado ou do outro lado do mundo. Na verdade, questões de tempo e espaço não são assim tão determinantes. O problema é a vida. A vida, quando você tem um melhor amigo que mora longe, passa de um jeito diferente. É por isso que esse manual foi feito. São algumas dicas reunidas por quem tem relativa experiência no assunto.

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[UM] Não acredite nesses textões que você lê na timeline alheia. Coloque, desde já, uma coisa na sua cabeça: pessoas se afastam de pessoas desde muito antes de surgir o primeiro www. A internet não afasta as pessoas (e se você não tem muita confiança nisso, fake it until you make it).

[DOIS] Use e abuse da conexão de vocês. Mandar (qualquer tipo de) mensagem hoje é fácil – e as operadoras não estão te cobrando pelo número de vezes que você aperta enviar (mas é bom consultar sua franquia de dados para maiores detalhes antes de qualquer coisa). Interaja sempre que tiver vontade. Ou seja, sempre – estamos falando do seu melhor amigo, afinal.

[TRÊS] Escreva. Muito. Tudo numa mesma mensagem ou cada mensagem com uma palavra só. Se preferir – a depender do momento e da personalidade das pessoas envolvidas – fale. Mande áudios. De cinco minutos, de vinte segundos. Um só ou vários, para temas específicos previamente determinados ou para dar bom dia. Ligue. Só por voz ou com vídeo incluído. Num sábado ou durante a semana mesmo, só pra dar um oi. Ou todas as anteriores (como provavelmente já deve acontecer, vamos ser honestos). Tá tudo liberado.

[QUATRO] Você pode ter conversas profundas sobre o sentido da vida, do universo e de tudo mais por mensagem de texto. Tá permitido. O fato de digitar de frente pra uma tela ao invés de dividir um café ou uma coxinha não tira do que você fala o significado. Acredite nisso (e retorne ao primeiro item em caso de dúvidas). Tá absolutamente permitido.

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[CINCO] Não abra mão das banalidades. Elas são tão importantes quanto as conversas profundas. Seu melhor amigo vai querer saber se você tropeçar na calçada e pagar o maior mico da quarta-feira no trabalho. Lembra como você achou incrível quando ouviu sobre aquela queda da bicicleta na volta pra casa? Não abra mão das banalidades. Nunca.

[SEIS] Tudo bem seu melhor amigo ter um outro amigo lá. Ou mesmo vários. O tamanho do pedaço da torta depende do número de pessoas que vão comer, mas seu melhor amigo não é uma torta (se for, considere conversar com alguém sobre isso). Você também tem outros amigos aqui, não tem? É bom pra todo mundo. Não fique com (muito) ciúme. Nenhum deles é você.

[SETE] Conheça a casa do seu melhor amigo. Saiba como é lá dentro. O tamanho da cozinha, como é a sala, onde ficam as janelas. Pode parecer bobagem, mas fica menos difícil você realizar a pessoa quando a insere num ambiente que você já viu uma vez na vida.

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[OITO] Conheça a terra em que seu melhor amigo mora. Não precisa ser um mestre em geografia, é claro, mas conheça pelo menos um pouquinho. A internet – essa maravilha – te permite conhecer, mesmo que você nunca tenha ido lá. Saiba como é a rua, a frente casa, o jardim. Saiba a estação do ano, mais ou menos a hora que o sol se põe. Saiba a hora que é lá quando é seis horas da tarde aqui.

[NOVE] Faça o fuso horário trabalhar pra você, não deixe o contrário acontecer. Sim. O tempo dividido em horas é uma mera convenção social, mas estamos aí, acertando os relógios para acordar às sete da manhã durante os dias da semana, então olhe com carinho para as longitudes que determinam o GMT de cada um. Saiba os melhores horários pra conversar e os melhores horários pra mandar mensagens que só serão lidas várias horas depois (ou antes – a depender de quem está no futuro e quem está no passado).

[DEZ] Faça a distância não ser determinante. Não tenha medo da distância. Assim como o tempo, os quilômetros também não passam de convenção social. Ter um melhor amigo que mora longe é difícil, sim. Mas ter um melhor amigo que mora longe também é um exercício de resistência. Não há tempo. Não há distância. Existem pessoas que se reconhecem, apesar dos apesares de da vida. E existem pessoas que existem na gente.

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Eventualmente, todas essas dicas podem parar de funcionar. Aí chegou a hora. Arrume sua mala e vá lá, encontrar seu melhor amigo. Sim, é claro, você precisa se programar e nunca é só questão de vontade. Mas se chegar a hora, chegou a hora. Não tem muito o que fazer. E este pequeno manual pode te garantir uma coisa: vai parecer que a última vez que vocês conversaram foi ontem (até porque provavelmente foi, né?).


5 comentários sobre “manual de sobrevivência

  1. “E existem pessoas que existem na gente.”
    Nunca concordei tão profundamente com uma frase sua.
    Minha viagem de volta já está marcada.
    Rever as pessoas que moram dentro da gente é uma das melhores sensações dessa vida.
    ❤️❤️

    Curtido por 1 pessoa

  2. Vamos lá, mas por que a dica 7 é realmente maravilhosa?
    R: porque tenho um lema na minha vida, no meu manual de sobrevivência na terra – a gente só conhece uma pessoa de verdade, quando conhece a casa dela. E se a pessoa muda de casa, de lugar,ela “se muda”, então é fundamental conhecer todos os aspectos dessa mudança, pra pessoa fazer sentido de novo pra gente!
    Entende?

    Curtido por 1 pessoa

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