too good at goodbyes

Talvez esse texto de hoje seja uma despedida.

Na próxima semana eu vou depositar – essa palavra engraçadíssima – minha dissertação e encerrar um ciclo que não sei bem porque comecei.

Tá, não vai acabar de verdade. Ainda existem outros muitos compromissos depois do depósito. Então talvez seja cedo demais pra falar em despedida. Mas vá lá. Sou ansiosa, né? Deixa eu.

Penso muito (mais do que devia) sobre as razões que me levaram a voltar pra academia e não concluo nada, como sempre.

Sempre gostei de ter aulas – mesmo quando não lia os textos eu gostava. Mesmo antes – quando nem existiam textos para serem lidos – eu gostava. Renan, que foi meu amigo de escola muito antes de ser meu marido, detesta o fato de eu lembrar com clareza de aulas sobre mitocôndrias, bombas de sódio e potássio, análise combinatória e paródias musicais com “trocar calor, um perdeu outro recebeu” ao som de Have You Ever Seen The Rain.

Mas eu tenho vários dilemas acadêmicos.

Dilemas. Que eufemismo.

Tenho traumas. Alguns em razão da academia ser um pouco tóxica – é uma palavra boa pra descrever o que a gente encontra aí. Mas muitos mais porque não tenho as ferramentas certas pra lidar com esse ambiente. Não sei me comportar direito, retraio, internalizo, deixo as coisas se agigantarem.

E, mais do que devia, minha cabeça entra em um labirinto do qual sofro pra sair. Fico pensando que todo esse instrumental pra controlar a qualidade das produções acadêmicas faz com que a maioria dos trabalhos seja entregue sem qualidade alguma. Ao mesmo tempo em que estou fazendo a minha parte – o artigo que ficou uma porcaria, o certificado de um congresso que não prestei atenção, a resenha de um livro que não terminei de ler – pro sistema continuar operando igualzinho.

E aí congelo. Eu, o próprio gif da panqueca.

É por isso que o ponto final do meu último capítulo vem dobrando a esquina já há algumas semanas, mas não chega nunca.

Talvez esse texto de hoje seja uma despedida.
Talvez seja cedo demais pra falar em despedida.
Ou talvez eu não tenha maturidade pra falar em despedida.

Não sei. Cheia de dúvidas que sou, sempre fui ruim de conclusão.

Mas ela vai precisar sair.


4 comentários sobre “too good at goodbyes

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