agradecimentos

Será?, me peguei pensando. Será que coloco esse texto – de outra linguagem, com outra proposta – aqui?

E agora, vou escrever uma sequência de expressões que poderiam ser, todas, subtítulos desde blog: fiquei na dúvida, refleti demoradamente, não concluí nada. Mas cá estamos nós.

Tem um pouco de ansiosa na dissertação, tem um pouco da dissertação no ansiosa. No último ano – já estamos falando em ano!? – vivi intensamente essas duas experiências – e umas outras também, não sei se vocês notaram.

Esse é o textão de agradecimento que está no trabalho que depositei – risos.

É que gosto de um textão.
E eu gosto de agradecer.

Antes de tudo, é preciso dizer que esse pedaço é meu favorito.

Acredito, com sinceridade, que é aqui que suor e lágrimas que são parte integrante de qualquer trabalho acadêmico podem ser recompensados do jeito mais puro.

Já passei por alguns trabalhos na vida – e em todos eles dediquei muito mais páginas aos agradecimentos do que comumente se vê nesse tipo de produção. Antes, pensava que era coisa de quem estava começando, mas, depois de um tempo, entendi que não era. Sou eu. Eu gosto de agradecer.

Talvez, penso comigo, esse meu interesse por essa seção seja porque passei toda minha vida acadêmica estudando – e querendo estudar – a graça. Talvez, penso comigo, isso tenha me amolecido. Pode ser. Mas essa sou eu. Eu gosto de agradecer.

E é só quando começo a pensar esta seção em específico – nenhuma outra de todas as que aparecem já nas próximas páginas organizadas em um (simétrico) sumário – que consigo ver que um trabalho. Você e seus agradecimentos, me diz Luize, meio em tom de brincadeira, mas falando sério.

Feitos estes esclarecimentos – que não são lá muito necessários, mas que achei importante fazer mesmo assim – lá vamos nós. É uma lista. Pensada com muito carinho, como todas as minhas listas.

Sempre gostei muito de estudar. Agradecer às Instituições que me possibilitaram abraçar o estudo, então, sempre foi importante para mim. Pela proposta verdadeiramente revolucionária de ofertar um Mestrado Acadêmico em Direito com uma linha de pesquisa de Teoria e História da Jurisdição, tão importante quanto renegada na construção do pensamento jurídico; por fazer isso sem cobrar em retorno uma prestação mensal em dinheiro, mesmo sendo uma instituição privada; e por depositar em nós, a primeira turma desta jornada, sua confiança, eu agradeço à Uninter. E à Bruna. Aqui, na minha cabeça, não haveria mestrado sem a Bruna. Obrigada, Bruna.

Ao meu orientador – que por tantas vezes me devolveu com a calma e a serenidade de um “fica tranquila, Martinha” os meus momentos de “meldelsdocéu esse trabalho não vai sair” – meus mais sinceros agradecimentos. André tá-bom-tá-ótimo Peixoto, muito obrigada por me puxar (até mesmo quando você não me puxou).

Agradeço ao professor Luís Fernando Lopes Pereira que, sem obrigação alguma, me recebeu mais de uma vez e me indicou caminhos possíveis dentro dessa pesquisa. Conviver com gente séria e comprometida com a pesquisa acadêmica é revigorante e conforta. Obrigada, professor.

Ao professor Antonio Manuel Hespanha – com quem tive a honra de ter algumas das aulas mais incríveis da minha vida – apenas agradecimentos não são suficientes. Aqui vale, também, um pedido de desculpas. Eu não aprendi na escola a lidar direito com o fato de poder conversar com a referência bibliográfica que tantas vezes eu citei nos meus trabalhos acadêmicos. Obrigada, professor.

Agradeço, ainda, aos professores incríveis que reencontrei nessa trajetória intensa. Ao professor Walter Guandalini Jr., que me reconheceu historiadora, mesmo tendo eu admitido só ter lido Apologia da História completo para aquele seminário sobre os Annales. E à professora Marcella Lopes Guimarães que, medievalista que só ela, me fez enfrentar dragões e moinhos de vento para resgatar o meu amor pela História, que tinha sido deixado pelo caminho.

Aos meus companheiros dessa jornada solitária, pero no mucho que é fazer um mestrado, porque sem o suporte de quem também tem os mesmos dilemas que nós, não é possível segurar essa barra, eu agradeço de coração. Bernardo, Kelly, Duda e Dessa, dividir com vocês todas as agonias acadêmicas que tenho – e são tantas! – foi, sem dúvidas, um ponto de solidez nesses últimos anos. Obrigada, amigos, obrigada.

De uma forma ou de outra, as pessoas que convivem com alguém que vive a experiência árdua de um mestrado são afetadas. Os horários tornam-se insanos, o tempo encurta, as semanas passam de um jeito diferente, os assuntos terminam sempre num teórico que ninguém conhece e num tema de pesquisa para o qual pouca gente liga. Perdemos festas, aniversários, almoços de domingo, cinemas, shows, viagens, cafés. Perdemos um pouco da vida. Vida que as pessoas que estão ao nosso lado continuam vivendo.

Mas que sorte, penso comigo, que lá em casa – e a casa dos nossos pais é sempre “lá em casa” – seu Pedro e dona Elena tantas vezes me venceram pelo cansaço e me fizeram só dar uma passadinha para ganhar um colo. Que sorte, penso comigo, que tenho ao meu lado a irmandade mais incrível de todo o multiverso, que me fez entender – daquele jeito especial que os irmãos mais velhos têm de fazer a caçula entender as coisas – que tem hora pra tudo, até pra parar de pensar nesse trabalho. Fabi, Pedro, Mari, tamo junto. Que sorte, penso comigo, que tive de ter João, Júlia, lá de longe, Tomás e Lucas, daqui do lado, pra me fazer ver que vida.

Sempre há vida.

A seleção de entrada no mestrado é, na verdade, o prólogo de dois anos de uma seleção bem mais intensa, fora da academia. Ficam, de verdade, as pessoas que se importam conosco, mesmo quando não temos a menor condição de sair do casulo que é a experiência que culmina neste trabalho para dedicar um pouco de atenção as nossas amizades. Aro e Guid, Consultoria, eu sei que vocês contaram os dias. Bárbara, Thais e Regina, Favoritas, foram dois anos que pareceram dez. Mas vocês estão aqui. Obrigada por aqui permanecerem. Foi loco. Mas acabou. Vamos dar uma festa?

Existem algumas pessoas específicas sem as quais esse trabalho não existiria. Pessoas que entenderam que a missão dos últimos dois anos foi um ato – um pouco impensado, vá lá – de retorno à academia iniciado por uma pessoa cheia de traumas bem mal cicatrizados de suas experiências anteriores. Vanessa e Rogerio, vocês estão aqui, neste grupo de pessoas. Pelo suporte irreparável sem o qual não haveria nem o pó de dissertação e pelos ombros sempre a postos, obrigada.

E existem nossas pessoas. Pessoas que a gente acha que sim, mas que na verdade não escolhe. Ainda bem. Pessoas que estão, também, em todos os agradecimentos acima, mas que devem estar aqui, nessa caixinha, com cafés, coxinhas e pães de queijo. Porque são nossas pessoas. Pessoas com quem podemos contar, não importa todo o resto. O mundo pode desabar – e essa é uma prerrogativa que o mundo usa muito. As coisas podem desmoronar em casa, na academia, no trabalho, “no mar, em Marte, em qualquer parte”. Nossas pessoas estão lá. Lá, onde não há distância, não há tempo. Lá, existindo na gente. Sem essas pessoas, essa dissertação até poderia existir (quem eu quero enganar?), mas não existiria Marta. Às minhas pessoas – Juliana, Luize e Pérola – nem meus mais completos agradecimentos chegariam sequer próximos da suficiência.

Por último – porque, como o pomo de ouro que guardava a pedra da ressureição em As Relíquias da Morte, eu abro no fecho – agradeço a Renan. Meu marido, meu melhor amigo, meu canal de comunicação com o mundo, meu safe haven. Agradeço em silêncio, porque me faltam palavras para agradecer Renan – algo difícil de acontecer como talvez tenha ficado claro já nas primeiras páginas dessa dissertação. Dividir com Renan uma vida inteira – da qual esses mestrados que resolvemos encarar juntos, como fazemos com tudo, foi só um cantinho – tem sido minha maior e melhor aventura. Está além de qualquer agradecimento.

Nós somos infinitos.


4 comentários sobre “agradecimentos

  1. …ufa !!! Terminou esse dragãossertação e já fugiu pras terras do norte deixando aqui em Curitiba 1 casal de veinho de coração 💔 partido de saudade e carente do amor filial. Feliz Natal e Ano Novo mais perto da gente. Amo vcs e desejo uma bela o boa viagem ✈️✈️✈️

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