imperiais resoluções

Sou bem ruim de promessas de ano novo.
(E não somos todos?)

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Geralmente, largo das minhas resoluções em duas ou três semanas, porque a vida acontece e elas ficam esquecidas no caderninho novo – que eu começo todo santo janeiro, sob a promessa de esse ano vai ser diferente, juro que não vou largar desse caderno.

Só que esse ano algumas coisas meio que funcionaram. “Meio que”, essa ferramenta maravilhosa de relativização. De um universo de umas oitenta e três mil promessas, duas eu “meio que” consegui manter.

Li muito. Coisas que nada tinham a ver com minhas obrigações de leitura. Tá, a ideia de um livro por semana – que deu certo até quase abril – precisou passar por algumas adequações no meio do caminho. Uma flexibilizada aqui e outra ali e conseguimos um bom saldo. Me perdi nas contas, porque sou bem boa na promessa de não ser boa com os números, mas considero meu volume de leitura uma vitória.

Escrevi muito. Coisas que nada tinham a ver com minhas obrigações de escrita. Distribuí textão pela internet afora como se não houvesse um mestrado pra fazer. Oscilei entre achar que ficar por aí disparando minha metralhadora de ansiedades sobre a vida, o universo e tudo mais foi um tiro no pé e achar que ficar por aí disparando minha metralhadora de ansiedade sobre a vida, o universo e tudo mais foi uma das únicas coisas que fez um pouco de sentido nesse ano meio maluco.

Ler e escrever sempre foram duas paixões minhas. Ter respeitado essas duas coisas durante um ano inteiro como um compromisso de verdade – e não algo que que poderia fazer se me sobrasse um tempo que nunca sobra – deu uma boa sacudida na minha vida. Parece que quando a gente se compromete a respeitar coisas que gosta mesmo de fazer, todas as outras coisas, aquelas que a gente faz porque precisa fazer, entram em uma avaliação constante. Todas elas vêm acompanhadas de um inquietante será que eu preciso mesmo fazer isso?

Nessa onda, há uns meses eu vi um vídeo da Jout Jout sobre o adestrador que ela contratou pra ensinar um pouco de modos pras cachorras que tem em casa.

Essas coisas de internet. A gente fica compartilhando umas coisas tão banais e daí faz umas reflexões que são tão, sei lá, não banais, né?

Bom, não sei. Tem um outro ponto de vista (porque sempre tem). Uma vez eu li que não somos profundos, não somos intelectuais, artistas, críticos, poetas. A gente só tem acesso à internet. Pode ser, também. Super pode.

Mas esse negócio do adestrador, ele ficou na minha cabeça.

E aí tenho repensado tudo. Ainda não tenho conclusão nenhuma, mas é porque eu nunca tenho mesmo. É toda uma reflexão lenta, sem fim, um movimento que é quase parado de tão devagar que se move. Há até uma boa analogia ao conceito de longa duração aqui, se você fizer uma leitura braudeliana desse texto.

E, no meio de uma reflexão sem fim, acabou o curso livre de filosofia e literatura, acabou a dissertação, acabou outro ano. Já é hora de fazer novas resoluções, mesmo que as em andamento ainda não tenham sido concluídas.

E, bom, sou bem ruim de promessas de ano novo.
(Não somos todos?)

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Sarah Anne Johnson – Untitled (Schooner and Fireworks) – 2012

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