bolão da Copa

Os ingleses são conhecidos por: a) terem colonizado metade do planeta; b) suas casas de apostas.

Então, quando Juliana contou que tava participando do bolão da Copa do escritório em que trabalha, juro que não me surpreendi (muito). Faz sentido, pensei comigo, listando as várias possíveis razões pra Juliana ter topado preencher uma tabela de jogos de futebol chutando placares e vencedores até a final.

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Convencida, a Copa do Mundo mexe até com os mais insensíveis, emendei: Fiz isso hoje também! Brasil campeão, né? É o mínimo que eu espero!

Mas aí ela continuou: peguei Austrália nessa merda.

Como assim? Toda minha atividade mental foi deslocada de imediato. Como funciona? Eu precisava entender como um sistema de bolão poderia, em tese, justificar uma frase como “peguei Austrália nessa merda”.

Sorteio, ela disse, como se fosse óbvio. Trinta e duas pessoas pegam um time da jarra.

Não, Juliana. Pensei em dizer. Isso aí é sorteio de grupos, acontece uns seis meses antes da Copa, prosseguiria, com toda a explicação pronta na minha cabeça. O Brasil, por exemplo, ficou no Grupo E, se classificar em primeiro lugar provavelmente pega o México, mas há chances de cruzar com a Alemanha logo nas oitavas de final, só que esperamos que isso só aconteça na final, porque final contra a Alemanha nos traz boas recordações de 2002, você lembra do Oliver Kahn? E isso poderia continuar. Para sempre.

Mas, sabendo que Juliana não tem o menor interesse nessas peculiaridades de Copa do Mundo que eu insisto em saber, me limitei a perguntar: mas como faz a aposta? 

A pessoa que pegou o time campeão leva tudo.

Juliana, eu comecei, tentando ser razoável e organizar as coisas a serem ditas em seguida.

Ela nem ligou pra revolução que tava acontecendo na minha cabeça e continuou: se não era todo mundo apostando nos mesmos times.

Pra mim, foi o limite. Depois dessa não consegui mais pensar em nada ponderado pra dizer.

ISSO AÍ NÃO É BOLÃO!!

Bolão de inglês, Juliana disse, com simplicidade. E emendou uns outros assuntos, que variaram entre novos apartamentos, jogos do Brasil, mudança de endereço do escritório, como era a Copa quando a gente ainda tava no colégio, fuso-horário. A vida seguiu.

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Mas, olha. Depois dessa conversa, sinto que preciso fazer aqui uma justiça histórica e um agradecimento público.

Valeu, Cabral!


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