céu sem copa

Não tenho um mapa astral elaborado por profissional habilitado – e fica aqui registrado meu respeitoso protesto – mas gosto de pensar que o exato horário em que cheguei ao mundo guarda muitas explicações sobre tudo (júpiter em gêmeos).

Ter marte em áries, por exemplo, faz com que meu espírito competitivo seja um pouco fora dos limites. Não sei perder.

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Louco para uma pessoa com tanto amor pelo esporte (e com saturno em sagitário). A derrota é a lição mais importante das quatro linhas. Perder não só faz parte do processo, perder é o processo. A exceção é a vitória. Esportes são muito mais sobre derrotas do que sobre vitórias.

Mas (lua em touro) desde cedo ignorei o aprendizado. Preferi largar sistematicamente (sol em virgem) todos os esportes que comecei a praticar na vida. Decidi que era menos doloroso não jogar. Mas ignorei também mais uma coisa (além de meu urano em sagitário). Ignorei que não aprender a perder também influenciava os jogos que eu não tava jogando.

Com doze anos, reagi meio mal a uma eliminação do meu time na semifinal do campeonato estadual. Chorei (vênus em câncer). Pisei duro e bati nos móveis (plutão em escorpião). Show completo (mercúrio em libra).

Fiquei de castigo. Dona Elena me proibiu de ver jogos de futebol até que eu soubesse me comportar (risos e meio do céu em gêmeos). Não adiantou. Pouco tempo depois, lá estava eu, vendo jogos de futebol de novo. Repetindo o mesmo padrão. E dando surra de padrão (ascendente em virgem) a cada derrota.

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Detesto perder.

E, anos, muito custo e um dedicado netuno em capricórnio fizeram com que eu meio que encontrasse uma saída. Racionalizei as competições. Parei de me importar muito. De acompanhar com aquele fervor todo. Distanciei. Foi menos doloroso do que aprender a perder.

Mas, né? Tem esse mapa. Se um profissional habilitado fizesse a análise crua de meus planetas, signos, casas e posições, atestaria que essa relação distante com a competição não poderia funcionar mesmo por muito tempo. Ele diria, sem medo de errar, que não funcionaria, por exemplo, com a Copa do Mundo (ou com o campeonato paulista de dois mil e um, ou com o campeonato brasileiro de dois mil e quatro, ou com a libertadores de dois mil e doze). Tenho descendente em peixes.

E meu fundo do céu é em sagitário.

Então fico aqui, estudando desenhos, definições e conceitos de astrologia por horas a fio só pra evitar encarar outra derrota. E pra concluir que, no fim do dia, os esportes são mesmo estranhos espelhos da realidade.


3 comentários sobre “céu sem copa

  1. …eu fiz realmente essa proibição de vc não assistir futebol ??? Nem lembro. Só sei que nunca entendi muito bem desse esporte, mas como teu pai sabe muito, eu sempre confiei nele e nos times que ele gosta. E você aprendeu com ele a amar o time do Santos, do Brasil…e ser meio fanatiquinha/estressadinha/fominha de vitoria etc e tal. Mas é uma das virtudes que me faz sentir orgulho de ser tua mamys. Te amo…não quero que vc fique tão triste do Brasil 🇧🇷 ter perdido. Outras copas virão e ainda somos os melhores do mundo 🌎 somos pentacampeões !!!!

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