no Não Repete

Marta escreve quinta-sim-quinta-não no Não Repete, na categoria – ah, sério?ansiosa.

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Uma ansiosa no Não Repete
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certificados são pedaços de papel, diz estudo
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Você carrega o mundo, ou o mundo carrega você?
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Podemos, sim, falar de feminismo no blog de moda

Mas o que é o Não Repete?

O Não Repete é um projeto da Guid, que começou como um exercício sobre ter roupas demais e acabar, sempre, usando o mesmo look. Só que a ideia cresceu. Hoje o Não Repete é um portal de conteúdo de moda vida real, auto-estima, consumo local, decoração e, agora, de ansiedades aleatórias. Mas é, acima de tudo, um canal de empoderamento.

Sempre fui trabalhada naquele preconceitinho de gente-acadêmica-que-não-sabe-se-vestir-direito sobre roupas e sobre moda. Sempre torci meu nariz. O filósofo francês Gilles Lipovetsky fez – em 1987, antes mesmo de eu nascer – esse “meu” diagnóstico completo:

A questão da moda não faz furor no mundo intelectual. O fenômeno precisa ser sublinhado: no momento mesmo em que a moda não cessa de acelerar sua legislação fugidia, de invadir novas esferas, de arrebatar em sua órbita todas as camadas sociais, todos os grupos de idade, deixa impassíveis aqueles que têm vocação de elucidar as forças e o funcionamento das sociedades modernas. A moda é celebrada no museu, é relegada à antecâmara das preocupações intelectuais reais; está por toda parte na rua, na indústria e na mídia, e quase não aparece no questionamento teórico das cabeças pensantes (…) é evocada principalmente para ser fustigada, para marcar sua distância, para deplorar o embotamento dos homens e o vício dos negócios: a moda é sempre dos outros.
(Gilles Lipovetsky, O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas, Apresentação)

Mas a vida nunca deixa de surpreender a gente. Eu tenho passado por transformações importantes na minha forma de ver o mundo, e tenho me permitido olhar pra elas com respeito e atenção. Acho que, acima de tudo, tenho abraçado essas pequenas revoluções.

Sim, eu continuo sem muito talento pra escolher minhas roupas e opto, sempre que possível, por tênis-jeans-camiseta-e-moletom, mas hoje eu consigo olhar pra moda – pro ato vestir-se – de um jeito diferente. E isso aconteceu um pouco por culpa da Guid. A Guid é uma das profissionais mais sérias que eu conheço. Ela acredita no projeto dela, no trabalho que desenvolve, nas propostas que defende, no conteúdo que produz. Ela tem uma vocação.

É isso que me deixa encantada. A Guid fez com que eu – a Marta-de-uma-camiseta-só toda trabalhada no preconceitinho – passasse a enxergar a moda como profissão. Mas mais que isso. Como paixão. Como motor de transformação. Como ferramenta de empoderamento.

E essa reflexão toda me fez aceitar essa proposta louca de escrever no Não Repete, uma quinta sim, uma quinta não.